Por que nos preocupamos tanto com o que os outros pensam de nós?

12/02/2017

O ser humano é o único animal que somente se constitui como um ser humano através do contato com outro ser humano. Aprendemos a andar, a falar e expressões faciais, que representam sentimentos, são construídas como tristeza, raiva, dor, entre outros. Todo conhecimento humano desenvolvido é repassado para outro ser humano durante sua existência, através da família, escola e relacionamentos em geral. Nos ensinam como nos comportar e a viver em sociedade. Nascemos com poucos elementos instintivos: quando bebê, a capacidade de sugar o leite materno, de chorar e de emitir um sorriso. Sorriso este caracterizado como o primeiro sinal de tentativa instintiva de sociabilização humana. Quando um bebê sorri todos ao redor se sensibilizam e se sentem comprometidos para com os cuidados que ele necessitará, mas o bebê não sabe que sorriu. O objetivo dos primeiros sorrisos do bebê é de se sociabilizar, sensibilizando todos ao seu redor, pois necessitará do pleno amparo do outro. Os outros animais, diferentemente do ser humano, nascem com muitas programações. O gato, por exemplo, mesmo sobre o cimento, tentará enterrar suas fezes, por centenas de vezes, durante toda a vida. Mesmo que não tenha tido contato com outro gato, ele apresentará esse comportamento. O cachorro vai latir sem ter aprendido. Mas o ser humano não. Ele não vai falar sem aprender, não vai andar, escrever, ler, se comunicar e se sociabilizar, caso não tenha contato com outro ser humano. Existe um caso chamado “As Meninas Lobo”: duas meninas, Amala e Kamala, encontradas em um ambiente selvagem, próximas de uma toca de lobos, na Índia, no ano de 1920, aos seus 2 e 8 anos. Acredita-se que elas foram abandonadas quando bebês e criadas por lobos. Elas uivavam, não apresentavam expressões humanas e andavam de quatro. No contato com a civilização, Amala faleceu após 6 meses, com 2 anos e meio e Kamala sobreviveu por mais 8 anos e só consegui aprender 50 palavras. Qualquer outro animal, além do ser humano, no contato somente com o ser humano, apresentará características da sua espécie. O macaco continuará sendo macaco, o gato, o cachorro, mesmo sem contato com outro animal da sua espécie, mas o ser humano não. Logo, somos uma construção a partir do outro. Nos constituímos como tal devido ao outro. Tudo que somos foi aprendido. Aprendemos a ser humano. Então, por que nos preocupamos tanto com o que pensam de nós? Porque não há nós senão o outro. A imagem que temos de nós mesmos foi construída a partir do outro. No texto “Um pouco sobre rejeição...” explico melhor essa constituição. O ser humano é uma constituição de vários outros. Então existem diversos “eus” dentro de uma só pessoa. Somos nossos pais, demais familiares, amigos e qualquer pessoa que tenha passado por novas vidas. Carregados um pedaço delas dentro de nós. Em análise adquirimos maior propriedade dessas partes. Descobrimos o que há dentro de nós dos nossos pais, familiares e outros. Nos tornamos mais senhores de nós mesmos. Dessa maneira, quanto mais conhecimento adquirirmos sobre nós mesmos, menos importância daremos ao que o outro pensa sobre nós.

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