Um pouco sobre a rejeição...

21/02/2017

 

Quem sou eu? Quem é você? Finjo não ser dor, a mascaro. Perco-me no processo. Sou tomado pela paranoia de não ser aceito por você se eu for eu. Sem saber quem sou, penso que, o que sou ou parte do que sou, não é agradável a você. Vivencio o desconforto de ser o que você não quer ter. Rejeitado por mim, projeto a rejeição no outro. Serei rejeitado por você, pois você rejeitará a minha rejeição por mim mesmo. Quem você rejeitará não sou eu, mas minha rejeição para comigo mesmo. Por que não a rejeito antes de ser rejeitado? Espero a confirmação de minha hipótese? A dor que há em mim me confunde. Rejeito a dor e penso que rejeito a mim. Não sou dor. A dor é parte de mim. Rejeito parte mim. Não quero que veja a dor, pois a rejeito quando a vejo. Se você a ver, a rejeitará também. Você rejeitará parte de mim, porque não sou só dor. Essa tentativa de esconder a dor faz com que eu me rejeite. Não quero que você me rejeite também. Projeto meus medos no outro. Concluo que, o que sinto por mim, está no outro também. O que há de bom em mim pode estar no outro. Mas por que vejo no outro só o que há de ruim em mim? O que há de ruim em mim é a dor. Por que considero a dor algo ruim? É desconfortável senti-la, pois não sinto prazer na vivência da dor. Idealizo algo que está fora de mim. Por não ser, o que idealizo, rejeito o que sou. Idealizei ser, em outro tempo, o que sou hoje, mas hoje é outro tempo. E neste, outro tempo, almejo ser quem não sou. Quando, finalmente, for esse outro, em outro tempo, almejarei ser outro nesse outro tempo. Por que, então, buscar ser outro, em outro tempo, sendo que, rejeitarei esse outro nesse outro tempo? Concluo que sempre me rejeitarei, pois nunca me sentirei confortável em mim. A partir do outro percebo o desconforto. Mas quem é o outro? Sou a unificação da pluralidade. Considero pluralidade a diversidade de eus que há em mim, pois sou a representação de diversos fragmentos do outro. Sou ser humano a partir do outro. Constituo-me como tal a partir de referências. Sou meu pai, minha mãe, minha irmã e todas as pessoas que tiveram algum contato comigo. Absorvi parte dessas pessoas. Como saber se a rejeição é minha ou do outro? Pode ser algo que absorvi do outro. Mas se absorvi do outro e sou uma constituição de vários outros, então, a rejeição é minha. Se me refiro a algo que está em mim, que pode ser do outro, é meu não é do outro. Então não rejeito o outro, e sim, a mim mesmo. O externo é minha percepção, logo o externo não existe, o que existe é a minha percepção. A percepção que acho que o outro tem em relação a mim, é minha, não do outro. O que percebo no outro é o que há em mim. Passeio pela minha subjetividade para desvendar o outro ou a mim? O que rejeito no outro é o que rejeito em mim? Pois o outro está em mim. Se não houvesse em mim, o que rejeito no outro, eu perceberia esse elemento que me causa rejeição? Percebo que sentir o outro é um passear no que há de mais ínfimo em mim, mas há.

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